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Brasil vermelho

  • Foto do escritor: Tonne de Andrade
    Tonne de Andrade
  • 23 de jan. de 2022
  • 1 min de leitura

#pratodosverem: quadrado de fundo vermelho, com trecho do poema a seguir escrito:


Prólogo


Vermelha é a tinta que se fez escorrer

À força do pau-brasil

Pra vestir o rico europeu

E a nudez do índio se perdeu


Vermelha é a terra que sangra

Ao ser desvirginada

Por homens brutos

E nas cavernas são vermelhos os veios

e dos rios os leitos

de onde o ouro se roubou


I

Vermelhos são os pés

Das crianças descalças no canavial

Vermelhas são as línguas

Que cantam o hino nacional

E oram a um senhor celestial

Por dias melhores


E vermelhos são os faróis dos carros

Parados nas avenidas

E também os olhos das meninas

Paradas nas esquinas

Vermelho é o céu azul

Que de tanta fumaça

Já não brilha o Cruzeiro do Sul

Vermelha é a escuridão

Que cai sobre nós


E vermelho é o sangue

No asfalto quente

Das comunidades do Rio de Janeiro


Vermelhos são os narizes

Que cheiram esse ar

Fétido e ácido

Vermelhos são os corações

Que pulsam nos trens

E ônibus lotados

A caminho de seus trabalhos

E vermelhos são os caminhos

Que descem do Nordeste

Pra São Paulo

Fugindo da seca vermelha


Vermelha é a escuridão

Que cai sobre nós


E vermelha é a bandeira

Que hasteia meu braço

E que ergo nesse mastro

Onde balançava a desilusão


Outubro / 2009


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