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Café-da-manhã no horizonte

Foto do escritor: Tonne de AndradeTonne de Andrade

#pratodosverem: quadrado de fundo branco, na metade esquerda há uma foto de um horizonte com montanhas sob um céu alaranjado que vai ficando azul. Na metade direita, trecho do poema a seguir:


Te vejo

e minha boca se inunda

de saliva

cujo gosto é ácido

como o das uvas

no café-da-manhã

Nunca houve café-da-manhã

Sempre há café

(e falta-lhe calor e açúcar),

mas nunca houve manhã

porque a noite nunca acabou

Dizem que são tristes

as coisas que têm fim,

mas não é mais triste

o horizonte?

Aqueles que rumam para ele

o vêem sempre lá:

braços estendidos

de leste a oeste

prontos prum abraço

que não se consuma

Pois a cada passo

também ele recua

A manhã sorri

do horizonte

É luz e frieza

que esconde a minha noite

sempre a fugir de mim...


01/02/2010


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