Sobre ser GG: não, eu não sou plus size
- Tonne de Andrade
- 18 de jul. de 2016
- 3 min de leitura

Altura: 1,56 m / Peso: 85 kg / Busto: tamanho 46 / Quadril: tamanho 50. Hoje em dia não tenho problema em admitir esses dados, mas nem sempre foi assim. Com quinze anos tinha essa mesma altura e pesava 45 quilos. Ano passado, cheguei a pesar 90 kg, ou seja, virei o dobro da mulher que era! Agora, aos vinte e cinco anos estou ‘estabilizada’ nesse peso. Algumas mulheres mais gordas do que eu talvez me digam que não sou gorda, ou pessoas que estejam ‘tentando me elogiar’, mas espero que entendam que tem sido um desafio pessoal me entender como gorda e é sobre isso que quero falar agora.
Eu me considero gorda porque sei que não posso comprar roupas na seção de tamanhos “normais” P, M e G, ou mesmo GG. Eu precisei renovar meu guarda-roupa para meu novo tamanho, e descobri a desgraça que é entrar numa loja, ou dez, e não ter nada do seu tamanho. E a sensação desconfortável de numa loja de departamentos enorme ter apenas duas araras de roupas que me sirvam. Agora existem lojas específicas para as gordas, são chamadas de ‘plus size’, termo que odeio pelo fato de ser em inglês (essa mania de colônia que coloca um monte de termos e expressões em outra língua como se não desse para traduzir ou porque acha mais chique…). Mas não é só o nome que é problema, as roupas ‘plus size’ costumam ser mais caras que o mesmo modelo em outros tamanhos, como se tivessem gasto o dobro de tecido pra fazer, e muitas vezes são só o mesmo modelo aumentado, ou seja, desconsidera que o formato todo do corpo pode ser diferente e que a roupa precisa ser pensada pra ser confortável.
Outro ridículo da chamada moda ‘plus size’ são algumas das modelos que eles colocam. O que acontece é que no mundo da moda, as mulheres não precisam ser magras, precisam ser doentes de tão magras, então as modelos que usam tamanho 42 são consideradas plus size. Gente, eu nem tento entrar em uma roupa tamanho 42. O que me preocupa aliás é onde mulheres mais gordas do que eu conseguem roupas, já que muitas dessas seções ‘plus size’ não vão além do número 54, com sorte 56, colegas, ser gorda na hora de se vestir pode ser muito chato!
Se você acha uma grande futilidade isso que estou dizendo, tudo bem, eu também pensava isso quando era magra e podia comprar roupas em qualquer lugar. Mas nós gordas precisamos usar roupas todos os dias (por convenções sociais, morais, de higiene e do clima), e passei a entender que ter tranquilidade pra escolher uma roupa antes de sair de casa e encontrar roupas que sirvam com conforto faz toda a diferença no dia-a-dia de qualquer mulher. E honestamente, não quero me classificar como plus size, e gordinha não me contempla, sou gorda e pronto. Não é ofensa dito dessa forma, uso GG porque sou gata e gostosa ;)

T.W. de Andrade
São Paulo, 18/07/2016
O texto é acompanhado por dois quadros do pintor Fernando Botero, cuja característica principal é retratar pessoas gordas (infelizmente não sei o nome das obras).
#pracegover - descrição: quadro 1 - mulher gorda nua aparece de frente olhando-se num espelho. Tem cabelos compridos presos por uma fita, usa brinco, pulseira e um colar de pérolas, e tem as unhas pintadas de vermelho. Quadro 2: há uma mulher gorda nua de costas, usando sapatos de salto vermelhos, sentada em uma banqueta de frente para uma penteadeira, está penteando os cabelos compridos, há um cachorro a seu lado.