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Em defesa do Engels (parte 1)

  • Tonne de Andrade
  • 28 de mar. de 2016
  • 2 min de leitura

Estou relendo o livro Anti-Duhring, do Engels (não é o Hegel, pessoal!).

Selecionei alguns trechos que ajudam a elucidar várias questões sobre o que é o materialismo dialético, e que infelizmente, tem sido destroçado na academia pós-moderna. Resolvi fazer algumas publicações de trechos desse livro. Separei por temas abordados.

Sobre o materialismo dialético:

“Quando submetemos a natureza ou a história humana, ou nossa própria atividade intelectual, à análise pensante, o que nos salta à vista, em primeiro lugar, é a imagem de um entrelaçamento infinito de interconexões e interações, no qual nada permanece o que e como era nem onde estava, mas tudo se move, se modifica, devém e fenece. A visão original, ingênua, mas objetivamente correta do mundo é a da filosofia grega antiga, e o primeiro que a expressou com clareza foi Heráclito: tudo é e também não é, pois tudo flui, encontra-se em constante mudança, em constante devir e fenecer. Porém, por mais corretamente que capte o caráter universal da visão de conjunto dos fenômenos, essa visão não é suficiente para explicar os pormenores, temos de retirá-los do seu contexto natural ou histórico e examinar cada um deles quanto à sua constituição, suas causas e seus efeitos específicos etc. Essa tarefa cabe, primeiramente, à ciência da natureza e à pesquisa histórica (...)”. p. 49

“Para o metafísico, as coisas e seus retratos ideias, os conceitos, constituem objetos de investigação isolados, a serem analisados um após o outro e um sem o outro - objetos sólidos, petrificados, dados de uma vez para sempre. Ele pensa unicamente mediante antagonismos não mediados: ele diz sim, sim, não, não, e o que passar disso é do mal. Para ele, uma coisa existe ou não existe: uma coisa tampouco pode ser, simultaneamente, ela própria e outra coisa. Positivo e negativo se excluem de modo absoluto; causa e efeito igualmente se encontram num antagonismo petrificado. À primeira vista, esse modo de pensar nos parece extremamente plausível, porque é do assim chamado senso comum. (...)” p. 50

“Do mesmo modo, todo ser orgânico, a cada instante, é o mesmo e não é o mesmo; a cada instante ele processa substâncias trazidas a ele de fora e excreta outras; a cada instante morrem células do seu corpo e novas se formam; depois de um período mais ou menos longo, todas as substâncias desse corpo foram totalmente renovadas, substituídas por outros átomos dessas substâncias, de tal forma que todo ser organizado é sempre o mesmo e , ainda assim, sempre diferente. (...) Todos esses processos e métodos de pensar não cabem na moldura do pensamento metafísico. Para a dialética, em contrapartida, que concebe as coisas e seus retratos conceituais essencialmente em seu nexo, em seu encadeamento, em seu movimento, em seu devir e fenecer, processos como os anteriormente mencionados são outras tantas confirmações do seu próprio modo de proceder. A natureza é a prova da dialética, (...), na natureza, as coisas acontecem, em última instância, de maneira dialética, e não metafísica.” p. 51

Fonte:

ENGELS, Friedrich, 1820-1895

Anti-Dühring: a revolução da ciência segundo o senhor Eugen Dühring.

Tradução: Nélio Schneider - 1º edição - São Paulo : Boitempo, 2015.

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