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Muito prazer, meu nome é Tonne

  • Foto do escritor: Tonne de Andrade
    Tonne de Andrade
  • 15 de jun. de 2017
  • 3 min de leitura

Essa semana estou no clima da comemoração do meu aniversário de 26 anos, e primeiro fiquei pensando muito nas coisas que eu conquistei até aqui. E cheguei a algumas conclusões sobre isso, mas saber o que eu conquistei não é a mesma coisa que saber quem eu sou, ou seja, quem é a pessoa que conquistou tudo isso. Bem, na verdade, a pessoa que conquistou tudo isso já se transformou muito, a garota que entrou na faculdade com 17 anos é totalmente diferente da mulher de 24 anos que passou no mestrado e ambas são diferentes da mulher de 26 anos que está agora no meio do mestrado.

O que significa pensar quem eu sou? Meu corpo mudou muito dos vinte anos pra cá, meu peso, o formato, não só ter mudado a cor do cabelo mil vezes, a minha energia mudou, eu não consigo mais ficar a noite toda acordada, eu me canso mais rápido, eu tenho um ritmo diferente de quando era adolescente. E estou entendendo que irei envelhecer, como todo mundo, não que eu já tenha sinais de velhice, pelo menos não físicos, mas eu sei que a minha pele não é mais tão macia e preciso tomar colágeno e passar creme, sei que meu corpo precisa que eu me preocupe com a alimentação e as atividades físicas para que eu não fique doente.

Mais do que todos esses elementos de como aparento, tem os elementos de como eu penso. Saber do que eu gosto, do que eu sinto, conhecer meus sentimentos, meus pensamentos, no meio de toda a bagunça que é a minha cabeça, e entender que talvez eu nunca organize isso. Eu sou meio assim mesmo, e estou tocando bem as coisas desse jeito.

De todas as coisas da minha personalidade e forma de pensar que exigiram que eu me posicionasse na vida, a mais difícil tem sido redefinir meu nome neste último ano. Realmente os 25 foram um momento de virada, porque foi quando redefini que a pronúncia correta do meu nome é Tonne. E isso não significa uma redefinição de gênero, apesar de eu não me identificar como mulher o tempo todo, eu sei que não sou um homem, nem quero ser um, eu sou uma pessoa, só isso, às vezes gosto de usar roupas femininas e às vezes gosto de usar roupas masculinas, ou misturar os dois estilos, e isso não muda como me sinto em relação a meu corpo e meu relacionamento.

O nome Tonne não tem a ver com uma redefinição de gênero, sou mulher, estou bem com isso; na verdade redefinir meu nome tem a ver com redefinir quem eu sou perante o mundo. Significa não deixar que as pessoas me chamem como elas querem, e sim como eu quero. Porque eu não me importava antes, ou aprendi a não me importar, as pessoas podiam me chamar de várias formas, pronunciar meu nome de vários jeitos errados, e eu simplesmente respondia, eu não queria ter o trabalho de corrigir, e principalmente não queria ter que explicar nada sobre meu nome.

Não, não tem um significado especial; não, não foi minha mãe que escolheu; não, não sei o por quê desse nome. E todas essas malditas respostas que dei a vida inteira a cada maldita pergunta sobre o meu nome sempre vieram acompanhadas de alfinetadas dolorosas no meu coração, porque quem escolheu meu nome foi meu pai, e nós não temos uma boa relação, e eu não falo com ele há mais de três anos. E eu levei muito tempo na terapia para aprender a lidar com essa decisão, e que não preciso me sentir culpada por ela. Eu tenho 26 anos e não sou o meu pai. Nem serei. Eu sou eu. Eu sou o nome que eu escolhi para mim.

E o meu nome é Tonne.

Autora: Tonne de Andrade

São Paulo, 11 de junho de 2017

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