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Vinte e tantos

  • Foto do escritor: Tonne de Andrade
    Tonne de Andrade
  • 14 de jun. de 2017
  • 5 min de leitura

Eu faço aniversário em junho, e sempre fico muito reflexiva com relação a isso. Esse ano não foi diferente, e comecei a ficar realmente ansiosa com meu próximo aniversário, afinal, uma data tão importante em que completarei um quarto de século. Então iniciei grandes reflexões sobre quem eu sou, como estou me transformando, me questionei se consegui conquistar algo, meus objetivos que mudaram, porque 25 anos me pareceu uma data de virada, uma quantidade de anos relevante. Eu deveria saber quem eu sou e ter conquistado alguma coisa antes de completar os 25 anos.

Eu não sei bem o momento exato em que me dei conta disso, creio que foi uns dois meses atrás, mas percebi que na verdade eu completarei 26 anos este ano, pois meu aniversário dos 25 foi ano passado, 2016. Estou em 2017, nasci em 1991, e, obviamente, matemática não é meu forte. Porém todo esse auto-engano na minha cabeça pouco tem a ver de fato com minha inaptidão com os números. A verdade é que 25 anos soa como uma data muito importante, a coisa toda da virada, e 26 anos não soa dessa forma. Que diabos significa fazer 26 anos? Não é um número especial, qual a diferença? O que eu deveria ser com 26 anos? Que expectativas deveria ter levantado para mim mesma?

Quer dizer que no último um ano eu já tinha 25 anos e não tinha me dado conta disso? Eu sabia minha idade, só não havia processado a informação que o tempo não estancou ao fazer 25, e continuou fluindo me levando até os 26. E depois dos 26 vem o quê?! Meu deus, o próximo passo são os 30, aonde eu devo estar quando completar 30? E como eu chego lá?

Talvez eu não tivesse conquistado nada ano passado quando completei 25, mas acho que finalmente posso me orgulhar de mim mesma agora que vou comemorar os 26, e resolvi listar todos os motivos.

Eu me formei no bacharelado em História, e finalmente, após tantos anos de faculdade, consegui a por*a da conclusão da licenciatura. Podem me considerar apta como professora de História, eu tenho um pedaço de papel que comprova. Afora ter conquistado um pedaço de papel, realmente é um alívio não ter mais que ir à faculdade por obrigação, e poder ler e estudar o que gosto, porque minha verdadeira conquista foi ter passado no mestrado, que iniciei em 2016.

Uau, estou fazendo 26 anos e já estou no meio do meu mestrado, estudando um tema pelo qual sou fascinada e que possivelmente eu não imaginaria que estaria pesquisando quando entrei na faculdade. E a grande conquista disso é que amadureci como estudante, como historiadora, e agora caminho para não ser só bacharel e licenciada, mas de fato uma pesquisadora. E terei concluído meu mestrado antes dos 30.

Farei 26 anos e já tive algumas experiências profissionais incríveis, trabalhei como educadora e monitora, como professora em mais de uma escola pública, trabalhei em um centro de memória com a questão das pessoas com deficiência, e como plantonista de dúvidas em um colégio particular. Ainda é pouco, estou no início da minha carreira, mas essas experiências com crianças e adolescentes só me comprovaram o que eu imaginei para mim mesma quando tinha 15 anos: eu quero ser professora de História. Amo pesquisar, mas ensinar é maravilhoso e aprendo muito dessa forma. Aprendi muito com os alunos que tive até agora, e ainda que talvez a pesquisa exija que eu fique um tempo fora da sala de aula, eu sei que essa é a profissão certa para mim.

No meio de toda essa bagunça em que consegui confirmar o que quero fazer como profissão e traçar um rumo para construir uma carreira, eu também tive força para não deixar de lado minha grande paixão que é a poesia. Meu sonho de adolescente era ser escritora, e não era bem de uma dissertação acadêmica, ainda que isso esteja sendo gestado agora. Eu transformei essa paixão em um hobby, e isso ajuda a me manter bem. E é incrível, porque tenho um site de poesia, todo caótico e amador, mas que cuido com carinho, e uma página no Facebook, e já consegui mais de 2 mil fãs, pessoas que não me conhecem, mas que gostam de ler o que eu escrevo, que se identificam, que me mandam elogios, que se emocionam, e isso é muito especial, ainda que não me dê nem um centavo, é a coisa mais gratificante do meu dia-a-dia.

Eu tenho a minha casa. Bem, ela é alugada, e quase todos os móveis foram comprados usados, mas meu trabalho é importante para sustentar a casa; e eu já moro nela há três anos, e não é a mais a casa da minha mãe. É o meu espaço, meu e do meu companheiro. Posso não ser uma boa dona-de-casa, não tenho talento pras tarefas domésticas e sou desleixada mesmo, mas é incrível quando eu acordo de manhã e sei que a cama é minha, e quando volto pra casa à noite e sei que é meu lar.

Não estou aqui falando de coisas que eu tenho com 26 anos, de objetos ou coisas que comprei ou acumulei, estou falando de coisas em que me transformei, que fazem parte do que sou, que estão traçadas na história que estou fazendo para mim mesma, por isso apontei primeiro todas as coisas que eu conquistei: minha formação acadêmica, profissional, pessoal, e mesmo a casa que pra mim não é só uma questão material, mas representa um estado mental de maior maturidade.

Não, a principal conquista na vida de uma mulher não deve ser ter um marido. No entanto, eu tenho um relacionamento agora aos 26 anos que é muito especial. Em setembro completaremos 4 anos juntos, e é o meu relacionamento mais longo. E é uma conquista não porque ‘eu consegui um marido’, mas porque eu sei que TER um relacionamento é SER parte de uma vida em comum, e isso exigiu muito amadurecimento da minha parte; e certamente não significa que eu já amadureci totalmente, e sim que continuo me esforçando para estar nessa relação, com todos os desafios que morar juntos e cuidar de uma casa juntos exige. Saber que não sou só eu que preciso de espaço, carinho e cuidados, e que estamos construindo projetos juntos.

E tudo isso eu conquistei antes dos 30. E não defini tudo o que quero conquistar até os 30, mas tenho uma lista para começar: terminar o mestrado, conseguir um bom emprego como professora, alugar/comprar um apartamento maior e decorá-lo com móveis novos do meu gosto, viajar para outro país (México primeiro, e tudo que for possível na Europa), publicar um livro de poesias em papel; bem, tem essa história de ter filhos, e acho que uma gravidez antes dos 30 é mais saudável pro corpo da mulher, mas a parte do emprego e da casa maior vem antes dessa, e vamos deixar pra pensar melhor nisso quando fizer 27, 28, e tals.

Antes eu tinha vinte e poucos anos. E céus, essa é uma fase difícil da vida, porque tinha que terminar a faculdade, começar a trabalhar na minha área, sair da casa da mãe, aprender a ter responsabilidades com o dinheiro, o emprego e a casa. Os vinte e poucos anos exigiram muito. Mas eu os atravessei e cheguei até aqui, aos vinte e tantos anos, rumo aos trinta.

Autora: Tonne de Andrade

São Paulo, 11 de junho de 2017

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